Querida não me espere para o jantar
Era o último dia de trabalho. Fazia aproximadamente um mês que estávamos trabalhando naquela mina. O serviço era árduo, a sensação de estar embaixo da terra não era agradável. Minha filha mais nova, Josefa sempre me questionava: " Você não tem medo do escuro, papai?" E eu, calmamente respondia que não. Eu tinha um velho hábito de observar o céu antes de descer, e naquela manhã, estava majestoso. E pensei " querida me espere para o jantar". Eu estava com tantas saudades...
Me chamo Ernesto, eu e mais 32 mineiros descíamos a alameda. O resto da manhã transcorreu tranquilamente, ao meio dia, enquanto almoçávamos. Ouvimos um barulho ensurdecedor.

Passou-se uma semana, estávamos desesperados, não havia meio de sair, a água era escassa, o grupo estava estressado, cansado e amedrontado. Estávamos a 700 metros da superfície. Eu particularmente descarte a ideia de poder sair, perdi a noção do tempo, senti que iria morrer ali. Matias, um dos meus companheiros, estava muito debilitado: precisava de remédios. Antônio, o nosso líder, tentava em vão manter o controle. De repente fomos surpreendidos por um barulho, era algo parecido com uma broca.
O comandante dos bombeiros não acreditou no que viu.
- Um bilhete, gritou.
- Eles estão bem, foi o que eles escreveram.
Na coletiva Josué, o comandante disse:
-Temos muito trabalho pela frente, iremos fazer o possível para tirá-los de lá. Julio Verne que me desculpe, mas essa missão terá o nome de Viagem a quase o centro da Terra.